Pq sim, sim e mais sim.
espalhem a palavra! :)
espalhem a palavra! :)
Antes de mais, qualquer ser humano deve ter direito absoluto sobre o que fazer com o seu próprio corpo de sua livre vontade.
De seguida estamos a falar de 10 semanas ou menos de gestação.
Se me consiguerem provar que 10 semanas de gestação é o suficiente para um feto pensar e ter autonomia ou capacidades de sobrevivência caso saia do útero e se safe cá fora como todos os outros seres humanos, ainda que precise de ajuda ou suporte tecnológico para tal, então aí será justo considerá-lo um ser humano e eu repensarei o meu voto. Até esse dia chegar, esse feto não passa dum aglomerado de células vivas que se está a aglomerar dentro de outro ser humano (a mãe). Até agora, factos.
Refiro pensar pois sem pensar não há consciência, e se hoje é legal eu cortar um dedo na cozinha a preparar uma salada, cortar unhas e cabelo (partes mortas, mas minhas!), furar orelhas, narizes, extrair um apêndice, ou amputar membros, tb tem de ser legal cortar ou separar de mim qualquer outro conjunto de células vivas do meu corpo desde que a responsabilidade dessa decisão caia no(a) dono(a) do corpo em questão e tenha viabilidade e qualidade tecnológica para se o fazer. Isto não é uma questão de moral, é uma questão de liberdade das mais fundamentais que existem.
Depois refiro a capacidade de autonomia de qualquer ser (humano) pois sem autonomia não se é humano.
Se pegarmos num ser humano e lhe retirarmos os pulmões ou o coração, ele deixa de ser autónomo. Se retirarmos a pernas já não. Se for cego, surdo ou mudo, ainda pode ser autónomo, e enquanto houver a possibilidade de autonomia, só aliando essa possibilidade a uma consciência deve algo poder ser considerado um ser humano. Uma pessoa em coma ou estado vegetativo não está provado não ter consciência. Nós não sabemos curar o estado vegetativo. Nada prova que a consciência já não esteja lá ainda que adormecida. Eutanásia é outro assunto.
Ao terminarmos a gestação de um ser com menos de 10 semanas, não estamos de maneira nenhuma a retirar a vida a ninguém. É preciso ser-se humano para se ser alguém. Está-se sim a impedir o curso natural de um aglomerado de células. Aliás, que o diga a minha barba que só cresce para ser cortada na casa de banho só pq me apetece que o trabalho das raízes desses pêlos seja em vão por uma questão estética. O corpo, afinal é meu.
Num blog de um professor de Pensamento Crítico (que eu adoro ler) a favor do não à despenalização li:
"Não se pode dizer que a mulher mata o filho porque não é filho. É o descendente directo; só não é filho se for filha. Não se pode dizer que mata porque não está vivo. Mas para fetos mortos não precisamos de referendo. Não se pode dizer que é pessoa porque muitos decidem, cada um pela sua razão, que não é. Não se pode contar com o futuro do feto porque está no futuro, a menos que seja para justificar o aborto como forma de evitar cuidar da criança durante esse futuro."
Não se pode dizer que a mulher mata o filho porque não é filho. Porquê?
Nunca vi ninguém passear um feto na rua, e nunca vi um feto jogar à bola, falar, aprender ou pensar seja o que for, ou chamar alguém de pai ou mãe. Que eu saiba, as pessoas quando pensam em ter filhos ainda antes da noite (ou dia) de os conceber, certamente não pensam "Ai que belo que o meu feto vai ser". Não pensam os que são a favor da despenalização, e NEM PENSAM os que são CONTRA! ;) Ninguém pensa se os olhos meio formados ou os braços que mal dedos têm são feios ou deixam de ser, ou se ele tem a cara do pai, do avô ou da tia mais velha.
Ser descendente directo tb poderiam ter sido todos aqueles nadadores magníficos que eu descartei para a sanita nos meus tempos de masturbação. No entanto, tiveram azar e não encontraram óvulos nem úteros na sanita. Alguém se preocupou com esse algomerado de células que não é autónomo nem pensa? Não me parece. Afinal está precisamente nas mesmas condições do feto: Sem as condições certas não vai a lado nenhum e não passará da insignificância que é qnd comparado com um ser humano formado. O espermatozoide não vai, nem o feto vai. Ambos precisam de tempo, suporte e de outras condições antes de serem seres humanos. Até lá, lamento desiludir alguns, mas são só células vivas. Nada mais.
"Não se pode dizer que mata pq não está vivo"? Porquê? Mais uma vez, mas onde é que está o mal em matar umas células vivas? Alguém se preocupa com remoções de apêndice só pq o apêndice tem células vivas lá pelo meio? Ou se preocupa com aquele cão abandonado que por acaso pensa, é autónomo mas teve azar é feio e foi atropelado e tem de ser abatido? Há cães nestas situações que sem um perna seguem as suas vidas.
Se me doer um dente nem penso duas vezes em o tirar caso ache que tenha de ser. É tão vivo, tão inteligente, tão autónomo, tão consciente qnt um feto com menos de 10 semanas. O feto vai ser mais importante qnd nascer? Concordo plenamente. Por isso falei no presente e não no futuro. Tomem atenção aos tempos verbais e leiam bem o que escrevi, pois se houver aborto antes das 10 semanas, esse futuro não existe e não faz, nem nunca deve fazer parte do problema da despenalização do aborto. É ilógico usar um futuro que não existe como desculpa qnd o que se discute é um meio que inviabiliza esse futuro sem o retirar a ninguém (a não ser ao pobre aglomerado de células, claro! que não é ninguém até às 10 semanas.) através do aborto até às 10 semanas.
É como insistir que devo recusar um emprego a 5 kilometros de casa pq demoro muito tempo a lá chegar a pé qnd tenho um carro, quero e vou usá-lo. O problema futuro de demorar mto a andar desaparece. Se tenho carro vai demorar 5 minutos a lá chegar. Só se não quiser usar o carro é que vou a pé. Mais uma vez, liberdades de escolha.
Vai existir um ser humano que pensa, tem futuro, consciência, e tem de ser respeitado pela sua magnífica existência. Se eu abortar antes das 10 semanas, acreditem que nada disso vai acontecer, e nunca terei morto tal ser humano. Terminarei a vida a um aglomerado de células. Presente é uma coisa, futuro é outra. Não misturem o hoje com o amanhã pq ninguém altera o amanhã sem ser com acções hoje e ninguém faz nada amanhã fazendo-o hoje. Ninguém mata um ser humano que só será humano amanhã hoje. Hoje ele não é ser humano. ;)
"Não se pode dizer que é pessoa porque muitos decidem, cada um pela sua razão, que não é."
Se tivermos em conta que não se pode dizer que não é pessoa porque muitos decidem, cada um pela sua razão, que é, então por causa deste segundo caso mostra-se então que também é válido dizer que não se pode dizer que não é pessoa só porque muitos decidem, cada um pela sua razão, que é.
É injusto para alguém que ao queixar-se que uns impedem outros de pensar seja o que for alguém vai ver a sua queixa defendida legalmente qnd tudo não passam de decisões éticas, morais e talvez metafísicas às quais cada pessoa devia ter direito. Não está em lado algum explicado pq é que se pode ou não.
No entanto, é uma facto científico que sem cérebro não há pessoa. Meio cérebro em gestação, aglomerado de cérebro por funcionar, 1 grama de cérebro, isso não é um cérebro. Pode vir a ser. Ninguém está a falar no que vai ser, está-se sim a falar do que é até às 10 semanas.
Ninguém no seu perfeito juízo prende aquele que vai ser criminoso. Prendem-se os que são e nada mais.
Pessoas em coma, autónomas, vivas ainda que apenas por causa de suporte tecnológico, esses sim têm cérebro, parado, talvez, mas cérebro que no mínimo já provou que o foi em tempos.
Entenda-se este último "autónomo" dentro do seu contexto de autonomia para suster vida ainda que com suporte tecnológico ou mesmo dependência de tecnologia que acho que o conceito de autonomia para fins de discussão do aborto deve conter. Há pessoas que tb dependem de pacemakers e continuam a ser consideradas autónomas mesmo só vivendo com o apoio de uma máquina.
"Não se pode contar com o futuro do feto porque está no futuro, a menos que seja para justificar o aborto como forma de evitar cuidar da criança durante esse futuro."
Evitar cuidar do feto qnd for criança na melhor das hipóteses. Não cair no erro de dizer que estamos a evitar cuidar duma criança (que nem sequer existe ainda!), qnd a única coisa que estamos a fazer aqui é evitar criar uma criança e nada mais.
E ainda que a frase estivesse logicamente correcta, continuaria a ser legítimo ter o direito de evitar tal responsabilidade. Não veria mal nenhum nisso. Eu tenho o direito legal de não querer adoptar uma criança (=ter a mesma responsabilidade de educar e criar outro ser humano!). Abortar para evitar ter mais responsabilidade pq eu, e só eu, decido o que fazer como o meu aglomerado de células vivas às quais chamam feto com menos de 10 semanas (eu, caso fosse mãe grávida, claro) é um direito que eu quero, devo e TENHO de ter. Presente, nunca futuro.
"Mas dêem as voltas que derem o problema mantém-se. Qualquer defeito que se ponha ao feto, seja não ter autonomia, não pensar, ou não sentir, é um problema temporário que em poucos meses se resolve, e que nunca justificará um acto irreversível e permanente como matá-lo. Seja que nome lhe queiram chamar, o facto é que estamos a privar aquele organismo de toda a sua vida, uma vida como a nossa."
Mantém-se? Onde? Só se for para os que são contra a despenalização.
"Dêem as voltas que derem o problema mantém-se" parece-me uma afirmação um pouco irracional. "Sim, pq sim" é tão irrelevante qnt o "não pq não". Veja-se:
"Qualquer defeito que se ponha ao feto, seja não ter autonomia, não pensar, ou não sentir, é um problema temporário que em poucos meses se resolve".
Antes de mais nada, não são defeitos. Não são qualidades. São puros simples e inegáveis factos. Não defeitos. Querê-los ver como defeitos é o mesmo que dizer que a natureza dum feto e o seu processo de gestação é defeituoso a dada altura. Pior, pode ser uma incapacidade de ser imparcial e objectivo ao analisar todo o assunto do aborto. É natural que assim seja, e o facto de toda a gente ter sido feto e ter nascido prova isso mesmo. Não é defeituoso não ter tido autonomia, não ter pensado, não ter sentido. É um facto que assim foi, e é baseado em factos que as decisões devem ser pensadas.
O facto de ser um problema temporário que se resolve pcos meses depois: mais uma vez não é um problema, é outro facto, está e deve continuar a estar completamente desligado do presente e da situação em discussão pois nunca deve servir de objecto de defesa do não à despenalização principalmente qnd o ar casual da expressão "se resolve" vai clara e irrefutavelmente contra o facto de existirem alguns meses de risco na vida de certas grávidas. Nem mesmo qnd a gravidez não é de risco isso faz com que ser grávida de 8 ou 9 meses seja tão simples qnt andar de bicicleta. O tal problema temporário não se resolve sozinho a custo zero.
Se assim não for e quisermos insistir que a resolução dum problema se resolve sempre sozinha esperando, então todo o conceito de medicina está errado e toda a gente que o persegue é doida. Afinal, todas as doenças do mundo desaparecem uns anos depois... qnd se morre de velhice ou não se morreu antes de outra doença. Isso não impede de as querermos curar já.
Mais uma vez, um doente terminal deve ser tratado pq é um doente terminal. É no presente e com factos presentes que as decisões devem ser tomadas. Se me doer a cabeça agora eu não tomo um analgésico qnd não me doer e mto menos penso que não devia tomar pq a dor de cabeça vai passar. Tomo pq me dói o suficiente para tal no momento e nada mais. Isto é senso comum.
"e que nunca justificará um acto irreversível e permanente como matá-lo". Isso é uma decisão pessoal moral que nunca deve afectar ninguém além de nós mesmos criando uma lei para afectar outros. Isso além de injusto é egoísta. Será sempre uma justificação ética que varia de pessoa para pessoa. Não é um facto e nenhum político deve interferir nisso pois não consiguirá justificar mal ou bem a aniquilação de um aglomerado de células que é correcto numa situação (amputações, piercings, apendicite aguda, etc) mas que deixa de ser noutra (aborto até às 10 semanas) qnd para certas pessoas é tudo a mesma coisa.
"Seja que nome lhe queiram chamar, o facto é que estamos a privar aquele organismo de toda a sua vida, uma vida como a nossa."
Pois "estamos" e não há mal nenhum nisso. Tal e qual como qnd inventámos o insecticida, a cadeira elétrica, ou a pistola.
O seu uso não tem de ser errado, principalmente qnd estamos a terminar a vida de umas células e nada mais.
A probabilidade de um feto vir a ser um Einstein existe mas é muitíssimo menor que a probabilidade de vir a ser um assassino em série, e menor ainda que a de vir a ser um aldrabão ou um simples ladrão que foge aos impostos. Não é com esses cenários hipotéticos pco prováveis que temos de regular a nossa vida ou as da nossa sociedade. Quem usa o Einstein (ou caso semelhante) para justificar o não à despenalização do aborto está a entrar no extremismo estúpido. Ninguém no seu perfeito juízo se tranca em casa com medo de ser atropelado: uma probabilidade maior que a de vir a ser um Einstein! ;) ou cria leis para obrigar as pessoas a não conduzir por ser perigoso e meter em risco de vida outros que nos rodeiam. Outros! Pessoas, não fetos, que andam em passeios, ou na faixa contrária e se cruzam conosco com diferenças de velocidade mortais.
Estamos a privar aquele organismo (feto), não aquele ser humano. É importante ter essa noção sempre bem sublinhada. A vida que não estamos a deixar acontecer é apenas isso, não é como a nossa vida (que não somos fetos, fomos e agora somos pessoas!) nunca... nada mais. Só um ser humano pode ser privado duma vida como a "nossa". Um feto não pode. Essa vida que se julga que está a ser privada do feto é apenas uma probabilidade. Nada mais. Um feto não tem a possibilidade de ter uma vida como a nossa. Só qnd deixar de ser feto é passa a ter essa possibilidade (que mesmo aí não é uma certeza), coisa que é irrelevante qnd existe um aborto a aplicar a esse feto antes das 10 semanas. Não se pode querer misturar 2 existências separadas por etapas temporais diferentes só para justificar seja lá o que for que se pensa que torna o aborto uma coisa horrenda qnd bem feito clinicamente. Um feto é um feto e pronto, e uma pessoa é uma pessoa e pronto, nunca um feto é uma pessoa ou uma pessoa é um feto (feto até às 10 semanas!). A angústia que um ser vivo (autónomo, consciente e pensante) tem ao ser privado da sua vida não é a angústia que um aglomerado de células (que não pensa) tem. Não podemos querer partilhar e proteger tais células de uma angústia que pensamos que as células conseguem ter. Isto é demasiado importante. A empatia de um ser humano por outros seres não deve ser extendida a um algomerado de células vivas inconsciente que é precisamente o que um feto até às 10 semanas é.
Capacitem-se que fetos até às 10 semanas e seres humanos não são a mesma coisa, nem tão pouco são sequer parecidos a não ser nalgumas semelhanças na fisionomia e nada mais.
Notem-se os erros em:
"Muito mais convincente é a repetição de fórmulas curtas com significado aparentemente profundo. É uma questão de cidadania. O embrião não é pessoa. As mulheres são humilhadas. É culpa do dogma católico, o direito ao corpo, e assim por diante. Quando disparadas em rápida sequência (de preferência a meio da explicação da posição contrária) não deixam que a audiência questione a sua relevância para a escolha entre levar uma gravidez a termo ou matar um ser humano. Mas é preciso convicção para ser convincente, e eu não quero estar convencido. Sei bem como a convicção afecta a capacidade de autocrítica, e é a dúvida que me salva de encalhar em preconceitos."
Vou dar mais relevância ao erro: "a escolha entre levar uma gravidez a termo ou matar um ser humano." Cá está o erro mais crasso que a maior parte dos defensores do "não" têm. Capacitem-se mais uma vez que um feto com 10 semanas, ou o aglomerado de células vivas que esse organismo nessas condições é, não é nem será um ser humano (até às 10 semanas!) a não ser que comece a pensar, a sentir, a ter um cérebro, a ser consciente, a aprender, e tudo isto até às 10 semanas...! Isto não são opiniões, são factos. Nada que um útero de uma mulher tenha lá dentro até às 10 semanas de uma gravidez é um ser humano. Ninguém vai matar um ser humano. Não há maneira nenhuma de contrariar este facto da natureza. Aquilo que vai ser ainda não é.
A linha que destingue um ser humano dum ser em gestação é ténue. Verdade. Mas não é ténue às 10 semanas e é SÓ isso que importa!
No entanto esta frase é linda:
"Sei bem como a convicção afecta a capacidade de autocrítica, e é a dúvida que me salva de encalhar em preconceitos." e deve ser sempre tida em conta. ;)
Será assim tão complicado
deixar as mulheres fazerem o que quiserem
com os seus aglomerados de células?
deixar as mulheres fazerem o que quiserem
com os seus aglomerados de células?
Finalmente a posição e peso da decisão do pai.
Até às 10 semanas o feto é um feto e nada mais. O pai só devia ter de aguentar 10 semanas de gestação até poder argumentar que se trata do seu filho (para ser fácil delinear a lei, não pq sejam 10 semanas o tempo correcto para tal - sempre mais nunca menos) aos olhos da lei. Trata-se sim de um potencial filho. Não se pode ser pai de algo que ainda não é um ser humano. Pode-se sim ser o contribuinte de material genético para tornar possível tal possibilidade. Aliás, qnd a mãe está grávida todos os sortudos (ou não) dizem aos amigos o quê? Que são pais? Não! Dizem sempre "Epá! Vou ser pai!" Aqui, toda a gente parece estar de acordo. Nunca nenhum gajo diz que é pai mal o teste da gravidez dê positivo. Os pais passam a ser pais e os filhos passam a filhos no dia em que nasce a criança.
Até às 10 semanas de gestação é tão normal para mim uma mãe querer abortar sem ter de dar satisfações a ninguém como é normal ela não querer ir para cama comigo antes de estar grávida para me deixar ser pai, e tudo sem dar justificações a ninguém.
Isto deve ser assim segundo o ponto de vista legal. Eu como futuro pai (principalmente se já soubesse da gravidez) não ia gostar de não ser consultado para tal decisão. No entanto, a lei não deve contemplar a minha opinião (não é mais que uma opinião ou vontade, tudo o resto cai na mulher) no caso específico de aborto até às 10 semanas pois todo o esforço físico e emocional de gerar um filho cai na mãe. O pai só se vê emocionalmente envolvido qnd se trata dum filho. Um problema dos pais (não mães) do ponto de vista legal é pensarem que o aglomerado de células é o seu filho: vai ser! Ainda não é. Até às 10 semanas, não passa dum aglomerado de células que pode vir a ser o seu filho. Respeite-se esse algomerado como se respeitam todos os outros (os que foram para a sanita, os que ficaram presos numa fortaleza de latéx, os que foram absorvidos pelo organismo, etc...)...
A minha esposa não fica lixada comigo nem me processa qnd me corto a tratar da tal salada e mato a minha aglomeração de células vivas! Nem de impede de fazer a barba ou de furar uma orelha ou nariz para um piercing. Não legalmente! Não pode nem deve.
Quando estivermos a falar de seres humanos, aí o pai deve ter tanto peso legal qnt a mãe. Deformações genéticas após as 10 semanas, problemas não detectáveis até às mesmas 10 semanas, situações onde o filho já é filho, já é ser humano e já pensa, sente, pontapeia, etc...
Depois, e deixei para o fim, de propósito, vem o argumento religioso da coisa:
Aos religiosos, deixo a minha palavra:
Vocês aprendam a ter modéstia e a respeitar o livre arbítrio que dizem que Deus nos deu.
É minha e só minha a decisão de ir arder infinitamente no inferno. Deus é que diz isto qnd dá o livre arbítrio, ou são os religiosos que dão o livre arbítrio a todos os seres humanos?
Não são vocês que devem ter o poder de decidir retirarem ou decidir sobre o meu livre arbítrio.
Nós só queremos fazer o que quisermos sem interferir com a vossa decisão ou com as vossas vidas ou convicções. A aprovação de tal despenalização não vos impede de continuarem a ser vocês mesmos e de continuarem nas vossas crenças. Qnd alguém é morto por um assaltante vocês não puxam das armas e tentam impedir tudo isso. Benzem-se e pronto. Fiquem por aí e deixem o resto para a polícia. A despenalização continua a permitir-vos nunca abortar e de convencerem ou ensinarem quem quiser os porquês do não abortar. Depois compra quem quer.
Façam melhor publicidade,
mas deixem a lei respeitar toda a gente.
A vossa vontade (de manter esta lei) impede-nos e impede-me de ser eu mesmo no meu estatuto de ateu, e completa e incondicionalmente a favor da despenalização do aborto até às 10 semanas.
A imposição da vossa vontade (ou de quem vote não!) não deve ter o suporte do Estado, Governo ou leis em lado nenhum do planeta Terra. Espalhem as vossas vontades com a palavra e não com a espada (lei). Ou então, mandem lá um Fax a Deus para ele cá vir esclarecer o pessoal que nós esperamos.
A inquisição já lá vai, mas parece que impor a outros a vossa vontade (ou a do vosso Deus) ainda permanece. Impor não leva a nada. Dialogar, tolerar, leva a tudo.
Até vocês deveriam votar sim!
Meus caros leitores,
Peço desculpa por ser tão longo, demorado e às vezes repetitivo, mas irrita-me serem contra a despenalização do aborto até às 10 semanas.
Os textos que usei vieram deste Blog de Ludwig Krippahl,
que recomendo que espreitem.
que recomendo que espreitem.













9 comments:
Mmmmm... mi amoriee translate please. eye too would like to read.
Vou ser sincero, nao li ainda metade, mas acho que merece um comentario de apreço. Grande post ;)
Boas João! Long time no see! Sinceramente, não li o Post todo... mas as parvoíces são tantas que nem consegui dar-me ao trabalho! Desculpa-me... foi o que pensei ao ler o que li!
Em primeiro lugar pq do chamado "aglomerado de células" Não vai sair nem uma batata nem uma laranja. Será que não é uma pessoa porque – ainda - não pode discursar sobre “O Monte dos Vendavais” ou efectuar contas de somar? Não é uma pessoa porque – ainda – não faz nada de importante, de grave, de sério? Nem eu o faço! LOL
E 2º lugar... se queres factos, aqui vão:
- O bebé está dependente da mãe e assim continuará durante muitos anos da sua vida depois de fora da barriga da mãe. Dependente como muitos doentes ou idosos. Matemolos a todos, então!
- O bebé não é um apêndice. É um ser humano único e irrepetível, diferente da mãe e do pai, com um coração que bate desde os 18 dias (quando a mãe ainda nem sabe, muitas vezes, que está grávida), com actividade cerebral visível num electroencefalograma desde as 6 semanas, com as características físicas e muitas características da sua personalidade futura presentes desde o momento da concepção.
Já agora... vamos despenalizar os julgados de Nuremberga do Holocausto Nazi porque... olha... foram condenados por CRIMES CONTRA A HUMANIDADE menores... porque causaram ABORTOS!
Sei que neste tema as pessoas são irredutíveis e até mesmo irracionais! Eu sei, porque sou um pouco! Mas pelo menos questiono-me e tenho cada vez mais certezas!
César Moreira
Hey, tudo nice?
Bom, entao qnd leres tudo eu depois desculpo-te. Se e' para comentar, comentem uma ideia toda, nao so parte dela.
Mesmo assim, a resposta ao comentario... ca vai...
Em primeiro lugar, quer saia uma batata, quer saia uma pessoa, na altura do aborto esta' ali um aglomerado de celulas e mais nada, gostes ou nao da ideia.
E se abortarmos, nao ha nem batata nem pessoa.
O copy paste que fazes dum powerpoint do monte dos vendavais, ora a resposta mais que obvia e' sim!
Nao e' pessoa pq apesar daquilo que vai ou pode vir a ser, ainda nao e'. No momento do aborto e' o mesmo que o aglomerado de celulas duma batata em desenvolvimento quer gostes quer nao: nao pensa, nao tem cerebro, nao e' autonomo, nao tem consciencia... chama-se feto e nao pessoa por alguma razao.
Os teus factos:
Eu nao sei o que sao "matemolos", mas esses teus factos para o caso nao contam para nada.
Porque?
Bom, nunca disse que a dependencia do bebe' conta para alguma coisa.
Isto porque os defensores do nao e' que insistem em chamar a um aglomerado de celulas de bebe'.
Por isso, nao entendo porque e' que me falas de bebe' qnd eu falo de algomerado de celulas. Estas a chamar bebe a um aglomerado de celulas com menos de 10 semanas?
Eu tb chamo a isso parvoices. Mas leio tudo.
O bebe' nao e' um apendice.
Bom para ti e para o bebe'.
Se vires um feto ate' 'as dez semanas vais entender que so' gente doida e' que ve naquilo um bebe'.
E' um ser humano irrepetivel.
Errado, e' do genero homo, mas ainda nao e' pessoa. E, se vires mais fetos com menos de 10 semanas, vais ver que e' quase tudo fotocopia uns dos outros... ;)
Coracao que bate desde os 18 dias?
So pq tem musculo activo passa a pessoa? Essa ai nao e' parvoice nenhuma, pois nao?
Prova la' que ate' 'as 10 semanas ha' actividade cerebral. Gostava de ver isso aqui para a malta que le nao pensar que esta' a matar um aglomerado de celulas que pensa, ainda que menos que um periquito.
Julgados de Nuremberga por causa de abortos? Mas foram todos (os abortos) ate' 'as 10 semanas??
Ou tas a pensar que eu estou a falar de abortos para alem desse periodo? Tens de ler o post todo, entao!? Tas uma beca excitado e a fugir ao assunto das 10 semanas, calma... ;)
Por isso, le o post todo, algomerados de celulas ate' 'as 10 semanas sao aglomerados de celulas. E' nessa altura que se aborta, nao depois.
Tb prendes pessoas que vao ser criminosas? Ou so' as que ja sao?
Eu qnd aborto ate' 'as 10 semanas nao matei uma pessoa, so celulas. Bom, eu tb tenho algumas certezas:
Aquilo que vai ser pessoa, ainda nao e'.
E' assim que qq ser minimamente inteligente deve pensar no aborto.
Naquilo que se esta' a abortar, e nao no que se esta' a matar se nao se abortasse. Isso assim nao era aborto.
Ou qnd te masturbas tb achas que tas a matar seres humanos? Tb podem ser humanos, desde que encontrem um utero e um ovulo pelo caminho... ;)
Bom... utilizando uma linguagem que te é mais familiar e sem recurso a Powerpoints (que são uma boa fonte de exemplos!):
Imagina o assunto como um questão temporal. As pessoas têm visões diferentes no que diz respeito a estes diferendos éticos e temos de respeitá-las. Assim, temos de imaginar uma linha de tempo em que um programa genético está a correr (relacionando com linguagem informática). Ao correr o programa (fazer executar), ele abre uma aplicação num computador. O PC elabora uma sequência inicial e o programa abre. O programa apenas não abre se existir algum problema de programação ou influência exterior. Ora nesta linha temporal que é a vida, fazemos "executar" quando o óvulo é fecundado. Este "programa" chamado feto vai ter uma evolução, ou seja o programa genético desta criança vai evoluir e correr até aos 9 meses, altura em que está pronto para abrir a aplicação, ou seja, sair da barriga da mãe. No entanto, e tal como os programas informáticos, o programa genético está em constante actualização até ficar fora de moda ou fora de validade. Isto é, desde que sai da barriga da mãe, a criança continua a evoluir até chegar à idade madura, ficar velho e morrer.
Agora... a questão prende-se com o seguinte... posso eu afirmar que antes das 10 semanas já não existe vida? Qual é a diferença para um bebé fora da barriga da mãe que, sem ela, não consegue sobreviver? Eu não consigo diferenciar! Enquanto não me provarem de que desta fecundação vai sair uma batata (como já referi), ou uma couve, eu não posso considerá-la outra coisa senão uma vida. Possa ou não ela falar sobre "O Monte dos Vendavais" como bem me referiste.
- Um exemplo mais claro desta linha temporal que é a vida... tenho 28 anos e todas as pessoas dizem que sou um jovem porque trabalho com pessoas novas, porque compreendo-os, porque ajo de maneira jovem. Sinto-me jovem! Por outro lado, tenho um primo, da mesma idade (uns meses mais novo), que está casado, tem filhos, vive para o trabalho e não faz outra coisa na vida. Ninguém o chama de jovem! Percebes onde quero chegar?! Quem me vai dizer explicar diferença entre o ser jovem e o não ser? Ele até é mais novo? A questão prende-se tb com o feto. Para uns é criança... para outros não é! É apenas um aglomerado de células! Mas estas células não fazem parte do código genético em evolução daquilo que somos e que vai continuar a evoluír até À morte?! Não vai influenciar a pessoa através do que a mãe come, respira, faz ou sente?
Eu não posso dizer que não... por isso não posso votar contra o assassínio de uma vida! Como já disse... prova-me que daquelas células sai uma batata ou um tumor que vai matar e eu concordo contigo em como as mulheres devem ter direito sobre essas células e voto sim. Até lá, a minha posição mantém-se!
Um abraço!
César
Bem...
Este comentario teve muito mais pinta. ;)
Gostei da analogia informatica e ate' concordo ctg no que toca a considerar o feto uma vida.
E' uma vida, e' o decorrer dum processo que origina (ou originara') uma pessoa, mas a realidade e' que naquele momento, nao e' pessoa. Tu escolhes tomar medicamentos que foram testados noutras vidas (animais em laboratorio) sem peso nenhum na consciencia. A tua vida vem primeiro do que vidas menos significantes (que nem pessoas sao). O feto, ate' 'as dez semanas e' menos ainda que certos chimpazes que estao em gaiolas para pesquisa e que reconhecem-se num espelho, e exprimem-se reconhecendo desenhos e simbolos. Pq e' que tenho de defender um aglomerado de celulas com menos de 10 semanas so pq diz no codigo genetico que e' do genero homo qnd nao tenho de defender outros aglomerados de celulas mais evoluidos?
A ideia que os defensores do "nao" gostam de passar, que e': "nao podemos matar pessoas", esta' completamente desajustada.
E' como vir um um perito em minerio ate' uma mina e dizer aos mineiros para nao deixarem cair os Ferraris no chao qnd um ou outro bocado de ferro cai do "balde".
Eu acho estupido as pessoas olharem para aquilo que um feto com menos de 10 semanas e', e defenderem-no como se ja fosse o que vai ser.
Acho no entanto inteligente ter em mente a analogia que usaste no teu comentario.
Mas e' precisamente por tudo ter de ser visto como uma linha temporal (a mesma que referiste) que ao defender o nao, consideram-se as vantagens e desvantagens dessa linha temporal, mas, e e' aki que os defensores do "nao" falham na mais basica das logicas, ao avaliar o "sim", tem de se considerar a linha temporal do "sim".
Ou seja, qnd se aceita um aborto, a linha temporal do produto resultante dum ovulo e dum espermatozoide nunca sera' um ser humano. Nao ha ser humano para matar. Nunca houve. Nao havera'. Houve um aglomerado de celulas que nao pensa, nao sente, nao reciocina, e torna irrelevante o facto de se vir a tornar uma batata ou uma pessoa.
O aborto altera a linha temporal consoante o lado que se defenda: o sim ou o nao.
Agora nao me queiram fazer achar correcto olhar o sim e o nao debaixo da mesma linha temporal, qnd cada caso tem uma linha temporal diferente.
Sera' que mato um ser humano qnd decido nao fazer sexo sem preservativos ou pilulas? A linha temporal tem uma boa hipotese de seguir o rumo natural de criar um ser humano...
Como e' que se define onde e' que se carrega "executar" no programa que referes?
Isto nao e' um assunto simples.
Mas na minha opiniao nao e' um assunto etico.
Assunto etico e' decidir pela vida duma pessoa... Decidir pela vida de um aglomerado de celulas e' um assunto medico, pessoal. Nada mais.
E se os defensores do nao querem referir a palavra respeito, entao aprovem a lei, que permite aos que defendem o "sim" abortar, e permite os que defendem o "nao" nao abortar.
Isso sim, e' respeito. Afinal, para os defensores do nao, isto e' tudo uma questao de etica. Nao me venham dizer que esta' correcto votar "nao" e impor a etica deles na minha vida. Isso e' falta de respeito! ;) O meu "sim" nao obriga os defensores do "nao" a nada. Respeita toda a gente (o feto nao e' gente).
Misturar etapas temporais todas no mesmo momento para defender o nao ao aborto e' no minimo ilogico.
E nunca ninguem me vai convencer que se esta' a matar uma pessoa, pessoa essa que ainda nao existe, nem existira' se abortarmos...
Isso, nao faz sentido.
Ou seja... é uma discussão sem fim pois as pessoas têm diferentes pontos de vista sobre uma mesma realidade! LOL
Fica À consciência de cada um!
É lá!!! Grande debate que vai por aqui.
Eu apoio o lado do Não. Já li o post todo e os comentarios. O equivoco aqui aqui parece o "ser" ou não "ser" pessoa às 10 semanas de gestação embrionária. To be or not to be... that is the question!
Suponhamos que tu e Nel decidissem ter agora uma criança. Um dia ela chegava a casa para dar a feliz noticia "estou grávida" e tu pensas "sou pai!" . Seguindo a tua lógica irias pensar "yupi!!! Daqui a 10 semanas vou ser pai!!!" Pois ser pai de um aglomerado de células não dá mesmo jeito nenhum. Pois acho que a nossa sociedade chegou ao cúmulo do comodismo ao dizer "não me dá jeito que a criança nasça". Daí dá um imenso jeito dizer que o feto às 10 semanas não seja pessoa. Pois não sendo pessoa tratam-no como se fosse lixo orgânico. Eu realmente não sei como pensam os do lado do SIM. Eu penso que esta lei que está a ser referendada é fruto da sociedade comodista. Quando se quer ter filhos está tudo muito bem. E quando não ser quer? Dá-se menos consideração?
Eu, tu e toda gente, diz e mto bem, vou ser pai. Ninguem diz ja sou pai 'as 10 semanas de gestacao. Alias, ate' posso dizer que vou ser pai daki a 5 anos. Nunca antes das 10 semanas de gestacao. Assim como nao sou pai dos meus nadadores salvadores (espermatozoides)... ;)
Por isso, sim, e' precisamente isso, nem eu nem tu, nem todos os apoiantes do "nao" sao pais 'as 10 semanas, pq aquilo ainda nao e' filho, pessoa, ou seja la' o que quer que se pareca com uma pessoa.
Nao e' lixo organico, mas nao e' pessoa.
Nao e' comodismo, nao e' hipocrisia, somos nos, os defensores do SIM, a pedirmos aos defensores do NAO que nos mostrem onde esta' a pessoa 'as 10 semanas de gestacao.
Como disseste e mto bem, naquela altura vou ser pai, nao sou.
Ate' tu sabes que nao se pode ser pai dum aglomerado de celulas. Pessoas so' podem ser pais de outras pessoas.
Nenhum medico diz o seu filho tem uma ma formacao se for detectada em fase embrionaria. Dizem todos: "o embriao tem uma malformacao".
Ja alguma vez alguem viu uma foto dum feto? E' nessa foto que se ve bem a pessoa! ;)
Se achas que chamar a um feto aglomerado de celulas em vez de pessoa e' uma questao de jeito (para mim e' apenas uma verdade que os defensores do NAO se recusam a aceitar), sugiro que vejas um, e depois trata-o como pessoa, a ver se isso faz algum sentido! ;) Nao faz.
Nao sejam e' hipocritas ao querer que numa questao etica a lei imponha a vossa vontade, em vez da de todos. A despenalizacao nao vos impede de continuar adeptos ferrenhos do "aqui esta' um aglomerado de celulas, o ze, uma pessoa sem olhos, sem cerebro funcional, bracos, autonomia, consciencia, mas pessoa". Isso pode nao fazer sentido para mim, mas o sim permite que todos tenhemos o que queremos. Permitam que todos pensem como quiserem.
Ja chegou a inquisicao no seu tempo.
Nao nos obriguem a ser como voces, e a ver num aglomerado de celulas, uma pessoa.
Ela simplesmente, nao existe. Ainda...
Post a Comment